21 de novembro de 2009

perfil de um psicopataº


Desde o início do meu curso de psicologia, que me interesso sobre este tipo de perturbação da personalidade.

Não só pelos relatos absurdos obtidos através de livros e da comunicação social, mas também porque é um assunto que me fascina pela sua singularidade e horror.

Não vou dizer que adoraria trabalhar com este tipo de indivíduos pois sei que ao princípio teria de dominar bem as minhas resistências...

No entanto não duvido que fosse uma experiência enriquecedora ao nível profissional.

O texto que se segue ilustra bem o perfil destes sujeitos:



O perfil de um psicopata


As características que transformam uma pessoa comum em uma ameaça à sociedade


Taisa Gamboa


Em 31 de outubro de 2002, o casal Manfred e Marísia von Richthofen foi morto a pauladas no próprio quarto onde dormia. O cruel assassinato foi arquitetado pela filha do casal, Suzane, com então 19 anos. A adolescente recebeu ajuda do namorado, Daniel Cravinhos e do irmão dele, Cristian, para a execução de um plano que tinha por objetivo abrir caminho para o namoro dos dois.


Durante as investigações, a frieza, o comportamento linear e a falta de remorso de Suzane chamaram a atenção dos pesquisadores. O motivo torpe, o meio cruel e a impossibilidade de defesa das vítimas delimitaram características típicas de um psicopata.


Mas de acordo com o psiquiatra forense Miguel Chalub, professor associado do Departamento de Psiquiatria e Medicina Legal da Faculdade de Medicina da UFRJ, a própria palavra psicopatia tem muitos significados. Inicialmente usada como sinônimo de doença mental (seu sentido etimológico), com o tempo, passou a designar as pessoas que, sem serem propriamente doentes mentais, tinham importantes alterações de conduta ou aspectos de personalidade que a sociedade não aceitava como "adequadas ou convenientes". Seguindo essa análise, a psicopatia pode ser entendida, hoje, por transtorno de personalidade.


Entre os vários tipos clínicos que compõem a personalidade psicótica, está o transtorno anti-social, caracterizado por pessoas que têm graves e importantes alterações da conduta social, precocemente instalada ainda na adolescência. Essas pessoas frequentemente cometem atos anti-sociais ou mesmo criminosos e são designados pela psiquiatria norte-americana, preponderante em todo o mundo, como "psicopatas". Assim, psicopata seria a pessoa que comete crimes ou infrações, que por suas características de execução exibem uma grave anomalia da personalidade tais como extrema crueldade e insensibilidade.


Segundo o psiquiatra, a idéia da existência de pessoas que não correspondem à expectativa da sociedade vem do começo da Idade Moderna quando o capitalismo, inicialmente mercantil e depois industrial, excluiu muitas pessoas das atividades produtivas. As idéias econômicas e sociais do protestantismo emergente, particularmente em sua versão calvinista, defendiam que todos deveriam produzir e enriquecer, seguindo a vontade de Deus. Aqueles que assim não procedessem eram marginais à sociedade, como os mendigos, vagabundos, errantes, prostitutas, bandidos e os loucos.


— Tempos depois, a loucura foi tomada como doença, e parte dos loucos passou para o contingente dos psicopatas, com conduta ou personalidade não socialmente aceita, ainda que não necessariamente anti-sociais — lembrou Miguel Chalub. Na verdade, a psicopatia não é considerada propriamente uma doença, pois não há nenhuma fundamentação médica (anatomopatológica ou fisiopatológica) para afirmá-la como tal. Ela é apenas uma variação anormal do modo de ser, um transtorno de personalidade caracterizado por um desprezo das obrigações sociais e falta de empatia para com os outros.


Para o professor da UFRJ, a psicopatia é um transtorno que vai se instalando aos poucos na mente da pessoa, desde o final da primeira infância até a adolescência. Assim, ainda que não seja uma tarefa fácil, a educação pode mudar tal curso. Uma educação excessivamente repressora ou muito permissiva contribui para a instalação da psicopatia. A exclusão social, a carência afetiva, o abandono social, e a miséria são também fatores causais, mas não exclusivos. Postula-se também um fator constitucional ou genético, mas de difícil comprovação.


Os psicopatas apresentam um desvio considerável entre o comportamento e as normas sociais estabelecidas. Há uma baixa tolerância às frustrações e um baixo limiar de descarga da agressividade, inclusive da violência. Ocorre também uma tendência a culpar os outros e a fornecer racionalizações plausíveis para explicar um comportamento que leva o sujeito a entrar em conflito com a sociedade.


Em virtude da falta de consciência do distúrbio, o tratamento da psicopatia é muito problemático. A pessoa afetada não demanda ajuda e sua tendência é colocar a culpa nos outros e não em si mesmo. De qualquer forma, a terapia cognitivo-comportamental, a socioterapia, a terapia familiar e a laborterapia são algumas medidas que podem surtir efeito.


— O recolhimento hospitalar não é indicado, pois em nada mudaria o comportamento da pessoa, que continuaria a ser um psicopata dentro do hospital. A internação muitas vezes é usada como medida coercitiva, de pouca eficácia, aliás. Permanecer no convívio familiar, recebendo apoio psicossocial é a melhor solução, — alerta o psiquiatra forense Miguel Chalub.


De acordo com ele, na imensa maioria dos casos, os psicopatas são penalmente responsáveis por seus crimes e assim devem ser tratados. É preciso lembrar que eles têm pleno discernimento para praticar o ato e que poderiam ter agido de outra forma, já que não possuem nenhuma anomalia mental e sim comportamental. Em casos muito especiais, talvez coubesse uma diminuição da pena, acompanhada de outras medidas de recuperação social.

12 comentários:

Pinkk Candy disse...

olá,
só a palavra psicopata mete medo!!!

kiaa

Pinkk Candy disse...

* kiss

M. disse...

Medo medo é dos (muitos) psicopatas bem sucedidos!

Petra eu entrei em 2004 e lembro-me de te ver na D. Alice.

Anne disse...

era uma coisa que gostava de ter tirado, psicologia. sempre me fascinou a mente e o que ela é capaz. :)

se bem que em alguns casos assistimos a coisas verdadeiramente horríveis, como é o exemplo de que falas.

Mokas disse...

Bem, eu sou um leigo na matéria, mas creio que existem vários níveis de psicopatologia.

Alguns psicopatas creio que estejam "adormecidos" e só dêem o click mediante alguma situação.

O artigo fala essencialmente sobre os casos mais evidentes e extremos... mas há que ter em atenção os outros graus...

Jinhosssssssssss =)

S* disse...

Muito curioso e interessante... ha gente muito desequilibrada!

a Gaja disse...

ainda bem que gostaste do meu blog...se não te importares vou cuscar o teu também...

Beijinho***

Petra Pink disse...

Pink Kandy podes crer assusta não é?
M Ora aí está uma verdade..........
E o que não faltam são psicopatas que estão bem na vida e se regozijam por enganar tudo e todos!
Sim é possível que tenhas me visto na D. alice.
Já tentei ir ao teu blog.... Mas não consigo comentar lol.
deve ser por causa da verificação ortográfica....
Anne: sim a psicologia é fascinante.....
E sim há mentes arrepiantes mesmo.....
E o problema é que quase sempre estão por tráz de rostos inocentes.
Mokinhas sim tens razão ha vários graus de psicopatia.
Se bem que um psicopata é isento de sentimentos e daí capaz de tudo.
S* fascinante e assustador ao mesmo tempo.....
Passo a vida a estudar sobre isto.
Sou mesmo curiosa.
A gaja: claro que podes cuscar sejas então muito bem-vinda e volta sempre que queiras....
beijo a todos.

Sara disse...

Eu para seguir psicologia tinha de ser ou infantil ou criminal, qualquer uma das duas, acho que é preciso ter um estomago muito grande.

Petra Pink disse...

sarinha e é preciso gostar disto lollll.
beijo boa semana

Swadharma disse...

Eu vejo o "Mentes Criminosas", lol =P Acho aquilo giro =)

Beijo*

provocação disse...

Sabes que uma amiga minha que é psicóloga defende que a Naomi Campbell é um exemplo de psicopata perfeitamente aceite pela sociedade. Ela refere que as pessoas acham que a psicopatia só está por detrás de grandes crimes com torturas limites mas não, que mesmo à nossa volta temos casos aos pontapés mas que achamos que são "mau-feitio" quando de facto são algo mais.